Festas d’Agonia de 15 A 23 Agosto 2026


 Nossa Senhora da Agonia é uma invocação da Virgem Maria, muito venerada como a padroeira dos pescadores em Viana do Castelo, em Portugal. O título surge da luta diária e aflitiva que os marinheiros enfrentavam contra o mar bravo, enquanto as suas famílias rezavam aflitas na terra. 

Origem e História

Raiz do nome: A palavra "agonia" lembra a luta intensa pela vida no mar perigoso.

Início do culto: A devoção começou no século XVIII em Viana do Castelo.

Local sagrado: A imagem fica no Santuário de Nossa Senhora da Agonia, junto ao Lima. 

A Grande Festa

A Romaria: Em honra da santa, realiza-se todos os anos em agosto a famosa Romaria de Nossa Senhora da Agonia.

Tradições: Inclui desfiles de trajes tradicionais, gigantones e uma marcante procissão que vai até ao mar



Mordomas da Romaria D’Agonia

As mordomas da Romaria de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, são as guardiãs da festa e da tradição. Historicamente, o termo vem do latim e significa quem "governa a casa" ou administra os bens da confraria e a organização religiosa. Hoje, vestidas com trajes típicos e quilómetros de ouro ao peito, desfilam orgulhosas na Festas d'Agonia.

Origem e Evolução

Papel original: Antigamente, os mordomos (homens e mulheres) cuidavam do culto, administravam os donativos e ajudavam a preparar as festividades religiosas da padroeira dos pescadores.

O Desfile da Mordomia: O célebre desfile atual nasceu de um cortejo organizado em 15 de agosto de 1968.

Crescimento: Com o passar dos anos, o momento evoluiu e transformou-se numa montra viva do traje e do ouro alto-minhoto.

 


O Traje e o Ouro

Riqueza familiar: As peças de ouro levadas ao peito (como corações e contas) são seculares e passam de geração em geração. O ouro refletia o valor e a herança de cada família.

Tipos de traje: Varia entre o vermelho, o azul ou o preto, abrangendo lavradeiras, noivas e mordomas com detalhes muito rigorosos.

A "Chieira": É o orgulho e a vaidade sã com que a mulher vianense veste o traje tradicional e desfila pelas ruas da cidade

 


O Significado das Cores dos Trajes

Vermelho: Cor da festa e do amor. Usado pelas lavradeiras jovens, simboliza a alegria da juventude e a fertilidade.

Preto: Indica estatuto social e formalidade. Era usado pelas noivas (que casavam de preto por respeito e luxo) e pelas mordomas casadas ou mais velhas.

Azul: Cor ligada ao trabalho e à vida quotidiana. Era muito comum nas mulheres da Ribeira (zona piscatória) por devoção à Senhora da Agonia.

Verde: Menos comum, mas presente em algumas freguesias. Está associado à esperança e à juventude.

 


Os Diferentes Tipos de Ouro Minhoto

Coração de Viana: O símbolo mais famoso. Tem uma forma curva no topo que representa o Sagrado Coração de Jesus e o amor profano.

Contas de Viana: Esferas de ouro oco e filigranado. São enfiadas num cordão preto e formam os colares mais tradicionais da região.

Arrecadas: Brincos grandes em forma de lua crescente. Têm origem antiga (pré-romana) e são decorados com filigrana fina.

Peças de Libra: Moedas de ouro autênticas (muitas vezes inglesas). Eram montadas em caixilhos trabalhados e exibidas como sinal de riqueza familiar.

O Desfile da Mordomia percorre as principais artérias do centro histórico de Viana do Castelo, partindo tradicionalmente dos Jardins do Antigo Governo Civil. O trajeto transforma a cidade numa autêntica passadeira vermelha de etnografia e brilho. 

 


O Trajeto Exato do Desfile

O percurso oficial orienta as centenas de mordomas ao longo destas ruas e praças:

Partida: Jardins do Antigo Governo Civil.

Rua de Aveiro e Rua Nova de Santana.

Passeio das Mordomas da Romaria: Antiga rua Cândido dos Reis, rebatizada em honra do próprio desfile.

Avenida Conde da Carreira e Avenida dos Combatentes da Grande Guerra.

Alameda João Alves Cerqueira.

Largo Vasco da Gama e Largo Amadeu Costa.

Rua da Altamira.

Chegada: Largo de S. Domingos.

 


Como Identificar a Filigrana Verdadeira

Para garantir que uma peça de ouro minhoto é autêntica e manufaturada de forma tradicional, deves verificar os seguintes pontos:

A Textura dos Fios: A verdadeira filigrana é feita com dois fios de metal preciosíssimo finamente torcidos e achatados, preenchendo o vazio de uma moldura de metal mais grossa. Se a peça parecer fundida num bloco único ou lisa na parte de trás, é imitação industrial.

O Peso da Peça: Devido à delicadeza e ao espaço vazio entre os fios entrelaçados, as joias de filigrana manual são surpreendentemente leves, apesar do seu tamanho visual.

Certificação Oficial: As peças legítimas produzidas no norte de Portugal (como as de Gondomar ou da Póvoa de Lanhoso) trazem a marca de Filigrana de Portugal Certificada ou carimbos de contrastaria que atestam o toque do metal e a autenticidade do processo

O Desfile da Mordomia realiza-se habitualmente na tarde do dia 19 de agosto (ou no dia útil imediatamente anterior ao dia da padroeira, 20 de agosto), integrando a semana principal da Romaria de Nossa Senhora da Agonia.

 


Dicas de Pontos Estratégicos (Sem Multidões)

Rua de Aveiro e Rua Nova de Santana: Situadas logo no início do trajeto. Como estão muito próximas do ponto de partida, o público tende a dispersar menos por aqui, permitindo observar os trajes e o ouro ainda perfeitamente alinhados.

Rua da Altamira: Localizada na reta final do desfile, imediatamente antes da chegada ao Largo de S. Domingos. É uma rua ligeiramente mais estreita onde o fluxo de turistas costuma ser menor em comparação com a Avenida dos Combatentes.

Passeio das Mordomas da Romaria: Embora seja um ponto central emblemático, as zonas recuadas próximas das esquinas com as ruas residenciais circundantes oferecem melhor visibilidade sem a pressão das barreiras principais.

Recomendações Práticas de Acesso

Chegada antecipada: Garanta o seu lugar nas ruas indicadas com pelo menos 45 a 60 minutos de antecedência face ao horário oficial de saída (geralmente agendado para as 16h00).

Zonas de sombra: Dê preferência ao lado da rua que já se encontre à sombra dos edifícios no período da tarde, tornando a espera muito mais confortável.

Fotografia: Os pontos iniciais do percurso são os melhores para captar detalhes da filigrana, pois as participantes ainda avançam num ritmo pausado e sem o cansaço do trajeto completo



Os dois principais destaques que completam a essência da Romaria de Nossa Senhora da Agonia são o Cortejo Histórico-Etnográfico e a confeção dos Tapetes de Sal nas ruas da Ribeira. Ambos os eventos atraem milhares de visitantes e mostram a profunda identidade cultural e artística de Viana do Castelo.

O Cortejo Histórico-Etnográfico

O que é: Um verdadeiro museu vivo e dinâmico que percorre as ruas centrais da cidade.

Dimensão: Conta habitualmente com mais de 3.000 figurantes trajados a rigor, dezenas de carros alegóricos detalhados e grupos de tocatas tradicionais.

O que mostra: Retrata fielmente as tradições agrícolas, a faina marítima, os trajes típicos e a história das várias freguesias do concelho.

 


Os Tapetes de Sal (A Noite Mais Longa)

O que é: Uma manifestação artística e de devoção popular onde os moradores locais transformam as ruas do bairro da Ribeira.

A confeção: O trabalho decorre ao longo de toda a noite de 19 para 20 de agosto. São utilizadas dezenas de toneladas de sal colorido para desenhar motivos florais, geométricos e marítimos. 

Propósito: As ruas amanhecem completamente cobertas por estas obras de arte decorativas para servir de caminho à Procissão ao Mar no dia da padroeira.

 



Outros Momentos Imperdíveis no Programa

Procissão ao Mar: Realizada na tarde de 20 de agosto, onde os barcos dos pescadores, devidamente engalanados, levam a imagem da Senhora da Agonia ao Rio Lima e ao mar.

Festa dos Gigantones e Cabeçudos: Desfiles diários cheios de ritmo, animados pelo som estrondoso dos bombos e caixas que contagiam as ruas de Viana.

Sessões de Fogo de Artifício: Espetáculos piromusicais e o famoso "Fogo do Jardim" que iluminam o Rio Lima e a icónica ponte metálica de Eiffel durante as noites da festa.

A Procissão ao Mar é o momento de maior emoção e devoção de toda a Romaria, realizado invariavelmente na tarde de 20 de agosto, o dia da padroeira de Viana do Castelo.

Neste dia, os pescadores locais agradecem as bênçãos e pedem proteção para a faina marítima através de um ritual único que une a fé e a identidade da Ribeira de Viana.




O Ritual da Procissão

A Saída da Igreja: As imagens da Senhora da Agonia, de São Pedro e de Nossa Senhora de Monserrate saem do Santuário e são carregadas em ombros até ao cais pelos pescadores, vestidos com as suas tradicionais camisas de xadrez.

O Embarque: No cais, os andores são cuidadosamente colocados a bordo de dezenas de embarcações de pesca artesanal, todas meticulosamente engalanadas com bandeiras, flores e fitas coloridas.

A Bênção das Águas: A frota ruma à foz do Rio Lima e entra em mar aberto. Num dos momentos mais solenes, as embarcações param, os motores silenciam-se e o sacerdote lança uma coroa de flores à água em memória dos pescadores que perderam a vida no mar.

 


Como e Onde Assistir da Melhor Forma

A procissão atrai milhares de pessoas às margens do rio. Se quiser assistir com boa visibilidade, siga estas recomendações:

Margens do Rio Lima: O muro do porto de pesca e a zona da antiga Lota de Viana oferecem as melhores vistas panorâmicas para ver a partida e o desfile dos barcos na água.

Ponte Eiffel: A icónica ponte metálica de Viana oferece um ponto de observação elevado fantástico, ideal para fotografar a linha de barcos a avançar pelo rio em direção à foz.

Ir a bordo: Se conhecer algum pescador local ou conseguir lugar num dos barcos autorizados a acompanhar o cortejo, viverá a experiência mais autêntica e emocionante por dentro da procissão.

 


 A devoção a Nossa Senhora da Agonia nasceu no século XVIII em Viana do Castelo, ligada à coragem e ao sofrimento dos pescadores locais. O título reflete a aflição e a luta diária daqueles homens no mar bravio, enquanto as famílias esperavam no cais a rezar, criando uma forte tradição de fé e [romaria].

Origem da Devoção

A luta no mar: Os pescadores de Viana enfrentavam tempestades severas e o perigo constante de naufrágio perto da costa.

A angústia no cais: As famílias viam os barcos em perigo do alto da terra e pediam proteção a Maria na hora da aflição.

A capela original: O culto começou numa pequena capela do século XVII dedicada ao Bom Jesus, que depois passou a abrigar a imagem mariana.

A data oficial: Em 1783, a Igreja autorizou a missa solene anual no dia 20 de agosto, data que deu origem à famosa Romaria d'Agonia.

 


Tradições e Celebração

A Procissão ao Mar: A imagem da Virgem desce até à ribeira e abençoa as águas em barcos enfeitados.

O Desfile da Mordomia: As mulheres da cidade desfilam com trajes tradicionais e peças de ouro únicas.

A identidade local: A festa mistura fé, folclore, tapetes de sal e os famosos Zés P'reiras, unindo a comunidade e emigrantes.







 

 Créditos:  Joaquimrios Photography


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